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Saudades x Amigos

Na madrugada vitrola rolando um blues, tocando BB King sem parar e eu não tenho absolutamente porra nenhuma para fazer. Sabe, poderia estar até sei lá, jogando RPG, mas já terminei meus posts por hoje. Então nem tenho o que fazer.
Não to afim de dormir, nem muito menos de ver TV. E eu estou com saudades de épocas boas da minha vida à qual eu nem pensei que ia sentir tanta saudade (mesmo sabendo, que, de uma forma ou de outra, todo o tipo de lembrança feliz, nos deixa saudades).

- Estou com saudade de Bruno. De rir com ele, de assistir filmes com ele. De encher o cu de sorvete e ver anime e de ser apenas uma garota anti-social, com seu melhor amigo anti-social (sim, ele vai me matar por isso). Estou com saudade de sentarmos na beira mar e ficar apenas conversando e falando sobre o dia, sobre a faculdade (a qual ele tinha acabado de entrar), sobre nossas inimizades (Dekinha e derivados), sobre nossas paixões. Daquele silêncio consentido de quando não tinhamos nada para falar, mas ao mesmo tempo falávamos tudo apenas com ele. De tantas as vezes e formas que chorei, tanto porque minha mãe tinha enchido ou saco, ou porque o ex-namorado me seguia e me martirizava. Sinto saudade dos livros emprestados e das desculpas de devolvê-los um ano depois.

Saudades das inúmeras bagunças na casa de Roberta. Das ínumeras vezes que dormiamos juntas apenas confabulando coisas e rindo das merdas que inventávamos. Dos namoros, das ficadas e dos risos. Das fotos tiradas e de ser uma gótica mesmo para assustar os outros - o que hoje em dia seria tachada de emo. Saudades de ficar apenas na varanda da casa dela, pensando na próxima festa ou talvez na próxima ida para o shopping. Saudades das inúmeras vezes paradas de fronte ao pc ou de jogar playstation compulsivamente até quase zerar Final Fantasy 8. Dos nossos vícios perdurados até hoje. Que mudam de ano em ano, mas sempre, uma hora ou outra, se encontram.

Saudades recentes, como dos momentos risonhos com a Jéssica. De lutar em cima da cama ou simplesmente ficar deitada na cama vendo ela digitar no computador falando com alguém. Saudade dela pedir meu mp3 emprestado porque tinha simplesmente viciado em minhas musicas de tal forma que não aguentava mais ficar sem elas. Saudades daquela menina com grandes olhos que todos os dias vinha me dar um bom dia ecoado com a música de fundo do Backyardigans. Dos dias em que ficávamos cantando ou lutando em cima da cama. Dos seus abraços e lágrimas como pedidos de desculpas. De caminhar pela rua gélida apenas escutando e sabendo onde ela vivia, o que antes para mim, era uma icógnita. De ir a igreja com ela e, pela primeira vez, ver inserida na sua vida. De verdade.

Do sorriso da Francine, dos seus abraços tão apertados e confortáveis. Até da sua ira quando alguém a contrariava. De encontrar ela sempre calada no começo da manhã, como se estivesse com raiva de alguém. De cantar com ela até a ver rouca e depois ficarmos num onibus lotado - mesmo eu morrendo de bronquite asmática - e eu perceber, que ela é a pessoa mais carismática e simpática de todo o ônibus. De me lembrar de ter orgulho de tê-la por perto e ser tremenda agradecida por me acolher mesmo - e principalmente - doente.

Da falta de palavras que de começo, não entendi, da Mei (porque agora sei, que ela dizia com os olhos). De ela nunca ter me deixado, mesmo que nos tivessemos estranhado no começo. Da sua pele extremamente gostosa de se apertar. Saudade das risadas que ela me provocava e também da curiosidade que me despertava por ela ser tão diferente daquilo que eu tinha imaginado. Saudade de vê-la desenhar na Paulista. De conversar com ela a madrugada toda e de tê-la comigo, todos os dias. Por ter sido, uma das maiores razões de ter movido mundos e fundos para conseguir ir para São Paulo.

Saudades do sorriso da Susi. Do abraço dela e de vê-la, por mais bêbada que estivesse, feliz.

Lembranças. Saudades. Saudades.. e mais saudades.

Sei que terei cada vez mais coisas para me lembrar e para sentir saudades, e sei, que tantas estas como as que virão, me farão sorrir e me dar vontade de seguir pelo que já passei. E pelas amizades, que talvez eu tenha perdido por aí, voltem a crescer de novo. E, se não voltarem, de algum modo, serviram para olhar para o passado com carinho.

Não sou a mesma, é fato. Tenho uma força que eu nunca pensei que eu iria atingir e, tudo graças ao que vivi. Já dizia alguém que não me lembro agora (fail): O Homem é aquilo que viveu.

E eu tenho plena consciência que eu sou, o que a saudade me faz. Uma mulher, com vários amigos, mesmo que distantes, sempre estarão dentro de mim, com as melhores lembranças do mundo.

Um comentário:

  1. É, saudades tbm de ver filmes com você, de fugir de vc e quebrar o vidro com a cabeça, saudades de correr atrás de vc no shopping, e brincar de improvavel no ibirapuera. Porra. Volta logo...

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